4.9.06

mundo cruel

Por que eu não consigo ficar quieta eu vou contar a história do pé de pêssego que tem lá perto de casa, só por ter mais nada pra falar, por estar de bom humor e tagarela. Não tem metáfora nenhuma aqui.

Lá na pracinha alguém plantou um pé de pêssego. É uma árvore mirradinha e feinha que tem lá, bem na heitor penteado, parece que vai morrer a qualquer hora. Nunca dei nada pra ela, nem ninguém. Aí, há um tempinho atrás ela começou a dar um botãozinho de flor - as folhas todas tinham caido, só reparando bem é que dava pra ver o botão. Os galhinhos marrons escondiam aquela bolinha branca. Pra saber dela, tinha que parar pra olhar a árvore. E lá não é lugar de parar, a heitor é uma via de fluxo até que intenso, ninguém pára por ali, e se pára, é pra esperar o ônibus. Nessas grande avenidas não se proseia parado pra não perder tempo. Tudo, todos passam rápido por ali, até o próprio tempo. Assim, as bolinhas foram se multiplicando até que um dia, antes da hora do trabalho, uma delas explodiu. E pronto: tava ali, bem no meio da rotina da heitor penteado, a florzinha mais bonita da região. E ninguém via; mesmo quando os galhinhos mirradinhos já estavam forrados de florzinhas; salpicados de branco e rosa, nin-guém parava. Eu também nem reparei mais; tinham tantas e estavam ali todos os dias, acabaram virando parte da mesmice. Outro dia, lancei o olhar na árvore, e no lugar das florzinhas, vi alguns pêssegos, também pequenininhos e delicados (eu queria saber onde é que tem outro pé de pêssego pelo bairro...).
Hoje, depois de muito procurar a árvore, escondida no meio da paisagem cinzenta, vi que não tinha mais nenhuma fruta.

29.8.06

passa nuvem negra...

epifania

ó atrasildos, agora é a hora: o chico anunciou mais oito shows em São Paulo... eu não vou me preocupar com isto, já tenho ingresso pra essa semana e tô contando as horas... torcendo pro frio passar pra ir com a roupa que eu tinha planejado há um mês, desde quando comprei o ingresso... E agora? Qual roupa? Será que compro mais um, pra ir com a roupa que eu queria? e pra ver mais um show inteirinho, só do Chico.... ai, ai... uma semana inteira pensando nisso...

"o sol ensolalará a estrada dela... a lua alumiará o mar... a vida é bela, o sol, a estrada amarela... e as ondas, as ondas, as ondas, as ondas..."

"ela faz cinema, ela faz cinema ela é tal... sei que ela pode ser mil, mas não existe outra igual..."


(ai, ai... passa hora, passa...)

Conversa de amigas.

Esperando a hora do cinema, na mesa do café.
Lú: Nossa Má, você tem que tomar isso aqui, é uma delícia!
Má: É bom? Que que tem aí?
Lú: É mate, com aveia, leite e tamarindo.
(eu chego na mesa)
Má: aA, acho que eu não quero. Moço, me traz uma água...
Eu: Lú, deixa eu dar um gole?
Lú:Claro...
Eu: (bebo, faço careta) Nossa Lú, que coisa ruim! o que é que é isso?

Má: hahahahahahaha
_______________________________________________
Outro momento, mesmas amigas
Lú: Nossa, foi lindo! o maior momento de amor da minha vida, tava lá em Salvador, numa pracinha mágica, e ele lá, tocando chorinho na flauta transversal... me apaixonei na hora!
Eu: (suspiros)
Lú: Uma hora antes do meu vôo pra São Paulo, não deu tempo de conhecer melhor o grande amor da minha vida! Ele me levou pro hotel, mas... Entramos no carro, ele me abriu a porta, pediu pra me dar um beijo... disse que eu era linda...
Má: Nossa, que fedor!

Eu: hahahahahahahaha

28.8.06

agradecimento

Me sinto na obrigação de agradecer aos que vieram antes de mim, aos que começaram a dar toques de requinte à nossa, então modesta, forma de nos comunicar, desde os que esboçaram as primeiras palavras... obrigada por terem dado origem à ironia. Ela, e só ela é tão capaz de dar alegria e satisfação nos momentos de mau humor... de trazer ambiguidade à vida, que é sempre tão cheia de certezas. Saibam, se ainda puderem fazê-lo, que proporcionaram-me muitas coisas boas.

26.8.06

postura na vida...

"E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo /Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva / E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva /Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel / Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu."
(trecho de aquarela, toquinho e vinicius)

Humilhação pública.

Metrô da Sé, 9 da manhã, um tantão de gente passando, um outro tantão de gente parada.
Cara do Poupatempo: Bom dia, gata
ela: (sorri) Bom dia.
Cara do Poupatempo: Não era pra você não, era pra ela.

23.8.06

21.8.06

Casulo

Mariposas da família Psychidae (na foto, exemplar da espécie Oiketicus kirbyi). Assim que a larva sai do ovo, ela começa a construir uma casa de areia, pedrinhas, pedaços de folhas, líquens, gravetos ou outros materiais que ela cola com seda, produzida por suas glândulas labiais. Conforme a lagarta cresce ela aumenta sua casa, sendo que certas espécies podem alcançar de 10 a 15 cm de comprimento. É o chamado bicho-de-cesto. Muitas fêmeas jamais saem da casa, não desenvolvendo asas. (foto e textos copiados e colados daqui...)

Uma vez vi na TV que existe uma espécie de lagarta (não sei se era lagarta, pelo que me lembro era um bicho que não sofria metamorfose, o casulo era só uma espécie de proteção que ele carregava) que estava sendo aproveitada por uma designer de jóias... ela as criava em cativeiro deixando à disposição pedras preciosas, que o bicho juntava no casulo, e quando estava pesado demais, o largava. O casulo ficava lindo mesmo, meio transparente (pena que eu não fui suficientemente organizada pra anotar o nome da espécie - e não encontrei no google!)

( Às vezes, quando eu estou quase dormindo, algumas frases ou imagens disparam no meu quase sono e vão sendo trançadas, envoltas na seda desse estado de consciência. Faço questão de juntar todas, não deixar escapar uminha - são proteção pros meus sonhos)

armadilha

"...e quanto mais engrossa a casca, mais se torturam com o peso da carapaça, pensam que estão em segurança mas se consomem de medo, escondem-se dos outros sem saber que atrofiam os próprios olhos, fazem-se prisioneiros de si mesmos e nem sequer suspeitam, trazem na mão a chave mas se esquecem que ela abre, e, obsessivos, afligem-se com seus problemas pessoais sem chegar à cura, pois recusam remédio; a sabedoria está precisamente em não se fechar nesse mundo menor..."

Lavoura Arcaica - Raduan Nassar. (p 147)